Título: Feios (Uglies)
Autor: Scott Westerfeld
Tradutor: Rodrigo Chia
Páginas: 415
ISBN: 9788501083708
Editora: Galera Record
Feios é se passa em um mundo distópico disfarçado de utópico. O livro nos apresenta um futuro centenas de anos após uma catástrofe que acabou com os enferrujados (nós, nesse caso). Esse futuro é hiper tecnológico, as cidades são autossuficientes e não existe nenhuma necessidade de intervir na flora ou na fauna. Mas o ponto mais forte no livro é que nessa sociedade a desigualdade foi abolida, seja ela financeira ou estética. Todos, no seu aniversário de 16 anos, são obrigados a passar por uma cirurgia que os deixarão "perfeitos", eles se mudam de Vila Feia, onde viviam com os outros "feios" desde os 12 anos, para Nova Perfeição, onde eles podem (e devem) festejar e se divertir 24 horas por dia por anos. Até que eles decidam "virar adultos", então eles passam por outra cirurgia e começam a trabalhar e viver em um local cujo nome agora eu não me recordo onde podem ter filhos que ficam com eles até os 12 anos, então estes vão para Vila Feia. E assim o ciclo se repete.
Parece perfeito, certo? Mas essa sociedade também possui uma especie de lenda urbana. Um local chamado Fumaça para onde vão aqueles Feios que não querem virar Perfeitos. Mas por que eles não iam querer? É claro que sendo um livro distópico existe uma conspiração do governo....
A Protagonista do livro é Tally Youngblood, uma feia de 15 anos de idade que está muito frustrada porque seu melhor amigo, por ser mais velho, já se mudou para Nova Perfeição, onde os Feios são proibidos de entrar. Ela conhece Shay que, como Tally, era a mais nova do seu grupo de amigos e por isso está sozinha em Vila Feia. E Eu vou parar a sinopse por aqui porque esse livro já é previsível o suficiente sem que eu conte a metade dele.
O grande problema desse livro está nos personagens. Eles tendem a ser idiotas com muito pouco desenvolvimento com o decorrer da história. O autor não conseguiu aprofundar nenhum deles de forma satisfatória. Eu não senti nenhuma empatia.
A Escrita é simples, talvez demasiada simples. Mas isso deixa a narrativa bem fluida e eu prefiro escrita simples do que autores que tentam tanto deixar seus livros tão poéticos que fica forçado.
A forma como o autor retratou o tempo dos enferrujados foi um dos pontos altos da história para mim. A história das flores brancas também me comoveu. O mundo em geral é bem construído, com a exceção de alguns furos que eu comentarei mais tarde. A primeira metade do livro é claramente de apresentação, enquanto a segunda metade tem um aspecto bem mais aventureiro. A história apesar de ser previsível de modos gerais (qual não é hoje em dia?) consegue deixar você interessado de alguma forma, especialmente no final.
Final que foi excelente. O Cliffhanger (que é aquela tensão que fica no final de coisas com continuação que faz você querer ver o próximo) deve ser bem escolhido, pois ele não pode tirar do leitor a sensação de conclusão de um fim de livro. E apesar desse cliffhanger ter sido bem forte eu ainda possuo a sensação que eu li um livro completo, ele conseguiu fechar essa historia e passar um bom gancho para a próxima (o que é surpreendentemente raro de encontrar).
NO GERAL, é uma boa distopia. Não é excelente, eu encontrei alguns detalhes mal explicados e o desenvolvimento de personagens poderia melhor, mas eu ainda recomendo a leitura para os fãs do gênero, mas se você não gosta de distopia esse não é o livro que fará você mudar de ideia.
Agora eu vou falar sobre os furos que me incomodaram e ele podem conter SPOILERS, leiam por sua conta e risco.

