quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys


Título: A Vida em Tons de Cinza (Between Shades of Gray)

Autor: Ruta Sepetys

Tradutor:

Páginas: 240

ISBN: 9788580410167

Editora: Arqueiro




O livro fala sobre o que acontece com Lina Vilkas e sua família após os soviéticos tomarem controle da Lituânia. Sua família, e incontáveis outras, foram deportadas para Sibéria, onde viviam em campos de trabalho. Nesses lugares eles são transformados em escravos, trabalham por longos períodos de tempo em condições quase desumanas e em troca ganham comida que mal é suficiente para garantir a sobrevivência. E além da luta para sobreviver eles ainda lutam para manter a esperança.

A Lina é uma personagem bastante forte, antes desse acontecimentos ela era apenas uma adolescente de 15 anos de uma família rica com um futuro brilhante pela frente no ramo artístico. Ela perde tudo. Mas ela continua lutando e acreditando em seus sonhos. Ela é uma artista e mesmo nessa situação ela não deixa a arte de lado, muito pelo contrário, ela usa a arte como uma espécie de muleta para ajudar ela a passar por tudo isso. Apesar de que ela está longe de ser a protagonista perfeita, sim, ela consegue ser bem irritante as vezes, por ser tão jovem e até aquele momento ter tido uma vida quase perfeita ela tem uma visão de mundo bem estreita. Gerando momentos de: Por que, Lina, por que?

O título do livro, a vida em tons de cinza, ficou bem parecido com o original: entre tons de cinza. O que é uma coisa que eu muito valorizo em livro, as vezes a história fica muito preto no branco, entende? (o mundo não é dividido em pessoas boas e comensais da morte, Harry) hahahaha. Desculpa. O ponto é, precisamos lembrar que as pessoas são tons de cinza (sem piadinhas com aquele pedaço de merda que as pessoas insistem que é um livro, por favor) e esse livro traz alguns exemplos disso.

O livro é narrado de uma forma bem interessante. As partes destinadas a esses horrores que a Lina está passando são intercaladas com flashbacks. Sempre tem alguma coisa no presente que faz alguma correlação com o passado feliz. Essa constante antítese deixa bem claro ao leitor tudo que a nossa protagonista perdeu.
Apesar dos personagens serem fictícios eles representam coisas que REALMENTE aconteceram. Além de familiares lituânios a autora também entrevistou vários sobreviventes desses campos de trabalho e inseriu experiências deles nos livros. Como um personagem especifico bem importante no final do livro que realmente existiu, deus abençoe essa alma boa. E vários outros tristes detalhes, várias coisas que a Lina passou foram coisas que REALMENTE ACONTECERAM com essas pessoas que a autora entrevistou. Tem uma coisa que a autora falou que eu achei incrível que foi: eu escrevi o livro, mas a história escreveu a estória.
Eu estava assistindo uma entrevista dela em que ela conta que originalmente nenhum personagem tinha nome, apenas a protagonista porque uma coisa que ela notou enquanto conversava com esses sobreviventes foi que eles geralmente não lembravam os nomes dos outros, mas sempre lembravam uma característica que os distinguia, como o homem que sempre repetia o que dizia, por exemplo. Os nomes foram adicionados porque o editor achou que sem eles o livro ficaria confuso.

O lado político não é muito explorado porque como o livro é narrado em 1ª pessoa pela Lina e ela não tem muito conhecimento sobre a guerra isso quase não é citado. Mas se isso é ruim ou bom para o livro depende do leitor.

Uma coisa que me irritou foi o final. O livro acaba no meio do nada. E existe um prologo que explica mais ou menos o que aconteceu com os personagens. Eu gostaria que ao invés da carta no final, que a narrativa simplesmente pulasse o tempo que precisava e a Lina continuasse narrando o que aconteceu depois.

Eu adorei a mensagem geral que o livro passa. Já que essa é um lado da história da 2ª guerra mundial que não é muito conhecido, portanto já vale a leitura por isso. Basicamente, o livro não é perfeito, mas se você se interessa pelo tema eu sugiro a leitura. E apesar da densidade do tema o livro flui muito bem.

Ah, e sim eu também chorei nesse. 2 vezes. Qual meu problema, senhor? 

Nota: ✰ ✰ ✰ 

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