Título: Emma (Emma)
Autora: Jane Austen
Tradutor: Doris Goettems
Páginas: 400
ISBN: 9788580700213
Editora: Landmark
"Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rica, com uma casa confortável e disposição alegre, parecia reunir algumas das maiores bençãos da existência; e vivera quase vinte e um anos no mundo com muito pouco a lhe causar angústia ou irritação."
Esse é o início do livro que já põe um tom diferente dos
outros 2 livros da Jane Austen que eu já li. Pois, ao contrario de Anne Elliot
e Elizabeth Bennet, Emma vem de uma família abastada e REALMENTE não precisa se
preocupar em casar pois é a única herdeira de seu pai.
Justamente por essa mudança Emma automaticamente é uma
personagem mais fácil de se identificar. Já que atualmente nós (mulheres) não
temos mais essa necessidade de casar por pura sobrevivência.
Vamos falar sobre Emma. Ela tem o típico comportamento
"adolescente sabe tudo". Mas não se preocupe porque isso não é um
defeito no livro, pois ele também trata sobre amadurecimento de personagem. No
começo ela pode até irritar. Por ser tão confiante nas próprias habilidades e
surda aos concelhos dos outros não nota que está errando. Mas em algum ponto
Emma percebe que está magoando pessoas e se intrometendo onde não devia. Ela
entende que precisa mudar de atitude. Amadurecer. Inclusive quem a ajuda a
perceber essas coisas é o Mr. Knigtley, mas chegaremos nele em breve.
Vamos falar de Harriet. Ela é uma nova amiga que está sendo
"treinada" por Emma para melhor se portar, já que ela não tem a mesma
posição social que Emma e precisa conseguir um bom casamento.
Harriet representa outra característica típica de
adolescentes: a insegurança.
Ela endeusa Emma o tempo todo e vai alimentando essa
superconfiança. Ela permite que Emma influencie DEMAIS na vida dela gerando
consequências nada agradáveis.
E eu estou percebendo que esse é um tema recorrente nos
livros da Jane Austen. Em Orgulho e Preconceito o Mr. Bingley se deixa
influenciar por Mr. Darcy e em Persuasâo Anne Elliot que é influenciada por
Lady Russel. E em nenhuma das vezes deu certo. Aí está Jane Austen dizendo pra
você ter mais confiança em si mesmo e tomar suas próprias decisões e também,
talvez, não se intrometa na vida dos outros.
MAS VAMOS FALAR DE COISA BOA! O romance do livro é muito
bonito. Mr. Knigtley é um excelente amigo para Emma e eles representam uma
perfeita relação saudável. Eles conseguem viver um sem o outro, mas juntos eles
se completam. Eles não são cegos aos defeitos do outro e tentam ajudar nisso o
quanto possível. Eu considero o Mr. Knightley uma versão melhorada do Mr.
Darcy. Ele tem todas as qualidades dele, mas sem o preconceito idiota. Mr.
Knightley é um exemplo de polidez e trata a todos com o devido respeito.
Sobre a narrativa eu vi uma resenha negativa que diz que o
livro é cheio de diálogo inútil. Bem, o que essa pessoa ver como dialogo inútil
eu vejo como construção de personagem. Veja bem, o livro tem aquela típica
vizinha tagarela, nesse caso, a autora poderia muito bem ter simplesmente
escrito que eles tinham essa amiga que não para de falar um minuto e não
mostrar isso na prática. O que a Jane Austen fez foi mostrar isso pra você,
então toda vez que essa mulher aparece, ela fala sem parar por uma página inteira
num fluxo de pensamento que eu considerei hilário.
Outro exemplo disso é o pai da Emma. A autora mostra de
verdade todas as suas neuroses e metodismo característico.
Basicamente, eu achei que o livro tem uma boa construção de
personagens e a forma como a Jane Austen explorou o comportamento deles me
encantou.
O único defeito do livro, ao meu ver, foi o final que foi um
pouco mais corrido do que eu gostaria. E é uma frustração recorrente nos livros
da Jane Austen.
No geral, recomendo fortemente esse livro para fãs do
gênero.
Nota: ✰ ✰ ✰ ✰
Resenha em vídeo:

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